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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Fé e ciência

E D-us disse...


... e houve luz!


Essa frase, que vi escrita numa camiseta (a fórmula é meramente ilustrativa), e a inauguração de uma exposição sobre Charles Darwin na semana passada em Brasília me fizeram refletir sobre a relação, ainda conflituosa, entre fé e ciência.


Na verdade, eu já estava pensando em escrever sobre isso desde antes de o Supremo decidir sobre a questão das pesquisas com células-tronco no Brasil. Felizmente, a Corte decidiu liberar as pesquisas, mas me entristeceu o fato de tal decisão não ter tido unanimidade entre os juízes. E isso me preocupa, pois o Supremo está prestes a julgar outra decisão supostamente polêmica que também envolve ciência e religião: a autorização ou não de aborto em caso de feto anencéfalo. Digo supostamente polêmica porque não entendo como juízes, e não médicos e cientistas, podem ter a pretensão de querer obrigar uma mulher a esperar os 9 meses de gestação para parir uma criança que viverá apenas por alguns minutos. Espero que os juízes que votaram pela liberação das pesquisas com células-tronco mantenham a sensatez nessa questão.


Mas voltando à questão principal: fé e ciência. À época em que as grandes religiões surgiram e se consolidaram, pouco se sabia sobre como o mundo havia sido criado ou sobre como o homem havia surgido. Na ausência de qualquer explicação, nada mais conveniente do que atribuir tudo isso à vontade de D-us. Com o passar dos séculos, a ciência progrediu, e, com ela, o conhecimento sobre os processos naturais e da humanidade. As religiões, no entanto, não se adaptaram a esse progresso científico de conhecimento do mundo. Preferiram, ao contrário, manter intacta sua visão sobre o mundo como forma de manter a legitimidade perante seus fiéis.



Um jornalista norte-americano, no ano passado, decidiu viver por um ano de acordo com todos os preceitos bíblicos. Deixou sua barba crescer, cumpriu todos os 10 Mandamentos, negou a evolução das espécies e se comprometeu a apedrejar todos aqueles que cometem ou cometeram adultério (felizmente, ele se limitou a jogar pedrinhas em apenas um). Sua decisão, bastante original, demonstra que as religiões precisam se adaptar ao mundo contemporâneo. Essa adaptação, sim, é necessária para dar legitimidade às religiões. Por que negar a existência de dinossauros quando testes com C-14 provam sua existência? Por que proibir o uso de preservativos quando milhares de pessoas morrem diariamente após serem contaminadas pelo vírus da Aids? Por que condenar a pesquisa com células-tronco quando inúmeras vidas podem ser salvas com as pesquisas com células embrionárias?

Fé e ciência não são incompatíveis. Ao contrário, o avanço da ciência é a prova de que D-us existe.